sexta-feira, 19 de março de 2010

Escravos por consentimento...


Antigamente havia escravidão descarada (ainda existe em alguns lugares, mas não vem ao caso), e todos se revoltam ao pensar em como podia alguém ser dono de seu semelhante (que assim como ele) foi supostamente feito também à imagem de Deus. Chicotadas, camaçadas de pau e torturas foram os ícones dessa escravidão no passado. Os negros sofreram horrores nas mãos dos conquistadores europeus e brancos em em geral, ao ponto de almejar tanto por liberdade que doaram suas vidas em busca desse propósito para as gerações futuras!
Não conhecemos diretamente esse tipo de escravidão, salvo pelo que nossos antepassados nos contam e o que aprendemos nos livros. Qual é a forma de domínio vigente em nossa época?



É muito mais complexo do que simplesmente ser propriedade de alguém que nos manda e nos pune ao seu bel prazer. É algo sinistro saber que atualmente, nós somos escravos numa sociedade aparentemente livre! Imagino gente falando "cara, esse teu blog tem altas ideias conspiracionistas e sensacionalistas". Chamem do que quiser, pois é inalterável o fato da existência dessa servidão moderna.
Dominados de forma integrada pelo sistema monetário, religioso e com freqüência pelo sistema de distribuição de informações (mídia), simplesmente criticamos os políticos ou protestamos com plaquinhas nas ruas, o que não resulta numa mudança significativa...
É decadente saber que o ser humano tão rico em inteligência e sociabilidade transformou o mundo nesse teatro macabro, onde a maioria se apresenta como servos fiéis de um número minúsculo de outros atores. Toma-se um lado com afinco, sendo mais fanático por determinado partido, do que um torcedor pelo seu time de futebol em final de campeonato. Ainda assim cumpre-se horários, segue-se regras e leis, paga-se as penas da lei, mas não tem seus direitos como prometido em constituições falidas e inúteis.

Não gosto de promover a desgraça ou notícias pessimistas, porém o mal está às portas em nossa vida, em nossos atos, em nosso trabalho e até em nossa medíocre alimentação industrial. E nós (falando como um todo) nos conformamos! Somos tão escravos quanto os servos de antigamente, a diferença é que somos filhos de uma dominação consentida e mascarada. Enquanto você compra desesperadamente o novo celular da moda com recursos e funções incríveis, existem pessoas (muitas vezes crianças) trabalhando duro por 20 horas diárias para fabricá-lo. Enquanto você trabalha o mês todo para ganhar o suficiente para comprar este celular (talvez parcelado ainda), seu chefe fatura centenas ou até milhares de vezes mais usurpando suas cargas horárias semanais. Por outro lado, o governo suga do seu patrão e de outros microempreendedores uma parcela bem grande com impostos e tarifas atribuídas à sua empresa, seu funcionamento e produção, ao mesmo tempo que perdoa dívidas gigantescas de multinacionais. Grande parte desses valores recolhidos (para não dizer roubados), supostamente deveriam se encaminhar ao pagamento de taxas e juros de dívidas externas e, num retorno significativo ao contribuinte com a prestação de serviços públicos. Ou seja, é um escravizando ao outro, num sistema de pirâmide em escala descomunal! No fim das contas, as dívidas e consumo só aumentam, e quem fica com o dinheiro são os poucos e poderosos banqueiros e outros mafiosos "invisíveis" na sociedade. O exemplo do celular se aplica à qualquer produto adquirido ou serviço prestado. Há uma frase comovente de Jean-François Brient que diz: "Se concebe no Ocidente, se produz na Ásia e se morre na África".



Olhe ao redor, você acha normal mesmo as coisas como estão? Acha que essa desculpa esfarrapada de que nós (o povo) somos os culpados pela poluição por simplesmente usarmos nossos carros ou não separarmos o lixo reciclável? Os carros que as grandes corporações projetaram... Os carros que eles fabricam mais do que a demanda, e vendem super faturados, com motores que poderiam ser elétricos se eles quisessem, mas a ganância vinda do petróleo é maior e os impede?! E as fábricas? E a produção em grande escala, tem base como base o crescimento demográfico mesmo? E os recursos naturais sendo devorados de um meio ambiente cujo estupro é recorrente?

Não vejo saída para a situação do Sistema atual, mas algo pode e deve ser feito! Somos escravos modernos, independente se você concorda com isso ou não. Porém podemos ser livres para entender isso e não fechar os olhos diante da situação. 
Finalizo com uma frase linda de Mahatma Gandhi, que traduz muito o meu sentimento ao escrever esse texto:



sábado, 13 de março de 2010

Pão com Banha!

Surpreendentemente a tal "obesidade" ou "fora de forma" não é um preconceito tanto de quem está ao redor, mas sim do próprio indivíduo obeso... O gordo(a) acha que não pode ser bonito(a) e elegante. É triste ver as pessoas com a autoestima em baixa, reclamando de si mesmas e vendo apenas os pontos que consideram negativos em sua aparência.
Sempre fui magro, sim, daqueles que é chamado de "vara de pesca, seco" e várias outras coisas do gênero. Com o passar do tempo e inconscientemente (hoje eu percebo) comecei a me tornar um comedor compulsivo e desenfreado. Minha barriga cresceu, estou acima do peso e minhas roupas, (a maioria) não serve mais... me sinto péssimo por não ter nada para vestir com que eu me sinta bem!




Estou começando um regime, e confesso que nunca pensei passar por isso... é horrível não poder comer até estufar como eu fazia antes, mas ao mesmo tempo sei que vou me sentir melhor quando puder usar tudo o que está inutilizado em meu guarda roupa. Sabe, o problema dos gordinhos não é a gordura em si, são suas mentes que discriminam a si próprios! Sempre adorei mulher gordinha e espero que essa definição de que "pra ser bonita tem de ser magra" seja dissolvida algum dia. Não sou hipócrita, me gosto mais quando estou magro, fico melhor, combina mais com minha personalidade, mas olhando para outras pessoas, prefiro uma gordinha à uma magrinha, acho mais harmonioso o visual. Já o gordinho que vejo no espelho de casa não me agrada em nada... haha! O que vale é estar bem consigo mesmo, indiferente do número que aparece na balança.
Viva a resistência aos esteriótipos!

segunda-feira, 8 de março de 2010

(in)Feliz Dia Internacional das Mulheres!

 Parabéns mulheres! Vocês conseguiram a liberdade que tanto procuravam a muitas gerações!
 Hoje nesse dia tão especial o mundo se "lembra" das mulheres... sim, das lindas, inteligentes, determinadas e amorosas mulheres! Elas que trazem cada um de nós em seus abençoados ventres durante longos e dolorosos meses. Sim, elas que com amor cuidam de seus filhos e maridos como dedicadas e adoráveis mães e esposas. Sim, elas que cuidam do lar como ninguém mais o faria. Sim, elas que conseguiram seu lugar ao sol fora de casa, onde se destacam no mundo dos negócios. Sim, elas que buscando liberdade e igualdade protestaram e reivindicaram seus direitos de poder agir igual os homens na sociedade. Lutaram para votar e trabalhar em qualquer ramo, e conseguiram esse direito.
 Muitas trabalham fora, e quando chegam em casa ainda fazem a janta pra seus maridos e filhos; ainda limpam a casa e cuidam do jardim; ainda acordam pra trocar a fralda do bebê na madrugada, dentre outras tarefas... Essa liberdade que as mulheres procuravam?! Trabalhar fora e em ainda em casa?! Será?
 Procuro respeitar as mulheres e acredito não haver nada mais lindo do que elas. Porém não há sentido em haver um "dia" para comemorar as mulheres... Comemorar o quê?  Comemorar a liberdade de trabalhar mais ainda do que na antiguidade para se entupir de compras descartáveis, e frequentemente não ter o reconhecimento pelos seus esforços?
 Assim como o Natal, Páscoa e outras datas comemorativas, essa é também uma data onde não há real intento, onde não há um propósito definido a não ser vendas!
 Aquelas que se sacrificaram e se expuseram desde os anos 60 em busca da liberdade feminina provavelmente não aceitariam esse dia pra elas... um dia é pouco pra tudo o que as mulheres representam. Diariamente deveríamos nos lembrar de sua importância. 



Quando foi a última vez que você ligou pra sua mãe ou avó pra saber como ela está? Se você leitor, é homem, e nunca ajudou sua esposa nas tarefas domésticas, pois acha que isso é coisa de mulherzinha, reveja seus conceitos. Respeitar é ser parceiro no que for necessário. Perfeito ninguém é, mas podemos melhorar sendo mais gentis em nossas relações.

 E viva o Dia Internacional do Consumo Fora de Controle! Apenas mais um ao longo do ano disfarçado de qualquer coisa. Por trás de cada data festiva, há uma única intenção, que é você gastar em coisas que muitas vezes nem precisa. O que te impede de dar um presentinho para sua mãe ou esposa quando sentir de coração vontade disso, em vez de ser algo condicionado por um sistema falido que só quer te ver atolado em dívidas, e coloca data após data como uma obrigação moral de consumir apenas pelo consumo em si?! Mulheres e homens, vamos ter apenas o que nos é essencial, pois a felicidade não se compra, ela surge no interior de nosso ser... e quanto mais nos enchemos de coisas materiais, menos olhamos pra dentro de nós mesmos e dos que nos rodeiam.




Vamos lembrar, quando o assunto é gastar nosso dinheiro (que nada mais é do que um símbolo impresso ou digital, para representar todo o tempo e esforço que usamos para consegui-lo), menos é mais!